"Sou uma filha da natureza:
quero pegar, sentir, tocar, ser.
E tudo isso já faz parte de um todo,
de um mistério.
Sou uma só... Sou um ser.
E deixo que você seja. Isso lhe assusta?
Creio que sim. Mas vale a pena.
Mesmo que doa. Dói só no começo."
Para vermos o azul, olhamos para o céu.
A Terra é azul para quem a olha do céu.
Azul será uma cor em si, ou uma questão de distância?
Ou uma questão de grande nostalgia?
O inalcançável é sempre azul.
"Simplesmente eu sou eu.
E você é você.
É vasto, vai durar.
Por enquanto tu olhas para mim e me amas.
Não: tu olhas para ti e te amas.
É o que está certo."
E o amor, em vez de dar, exige.
E quem gosta de nós quer que sejamos alguma coisa que eles precisam.
Desculpem eu ser eu.
Quero ficar só! grita a alma do tímido que só se liberta na solidão.
Contraditoriamente quer o quente aconchego das pessoas.
"Exagerada toda a vida:
Minhas paixões são ardentes;
Minhas dores de cotovelo, de querer morrer;
Louca do tipo desvairada;
Briguenta de tô de mal pra sempre;
Durmo treze horas seguidas;
Meus amigos são semi-irmãos;
Meus amores são sempre eternos e meus dramas, mexicanos."
Por dentro eu sempre me persegui.
Eu me tornei intolerável para mim mesma.
Vivo numa dualidade dilacerante.
Eu tenho uma aparente liberdade mas estou presa dentro de mim.
Sou uma pessoa insegura, indecisa,
Sem rumo na vida, sem leme para me guiar:
Na verdade não sei o que fazer comigo.
Eu não quero que você seja eu ,
Eu já tenho a mim .
O que eu quero é que você chegue ,
Com seu poder de chegar
E de me devolver pra mim .
Preciso de paciência porque sou vários caminhos, inclusive o fatal beco-sem-saída.
Tenho me convivido muito ultimamente e descobri com surpresa que sou suportável, às vezes até agradável de ser. Bem. Nem sempre.
...Que minha solidão me sirva de companhia.
que eu tenha a coragem de me enfrentar.
que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
Com todo perdão da palavra, eu sou um mistério para mim.
"Acho que devemos fazer coisa proibida – senão sufocamos.
Mas sem sentimento de culpa e sim como aviso de que somos livres."
Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.
O que obviamente não presta sempre me interessou muito.
Gosto de um modo carinhoso do inacabado, do malfeito,
Daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno voo e cai sem graça no chão.
Sempre conservei uma aspa à esquerda e à direita de mim.
" ... Sou como você me vê ...
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar ... ''
- Ela é tão livre que um dia será presa.
- Presa por quê?
- Por excesso de liberdade.
- Mas essa liberdade é inocente?
- É. Até mesmo ingênua.
- Então por que a prisão?
- Porque a liberdade ofende.
Passei a minha vida tentando corrigir os erros que cometi na minha ânsia de acertar.
Ao tentar corrigir um erro, eu cometia outro.
Sou uma culpada inocente.
Minha orgia na verdade vinha de meu puritanismo:
O prazer me ofendia, e da ofensa eu fazia prazer maior.
Só uma coisa a favor de mim eu posso dizer:
Nunca feri de propósito.
E também me dói quando percebo que feri.
Mas tantos defeitos tenho.
Sou inquieta, ciumenta, áspera, desesperançosa.
Embora amor dentro de mim não falte.
"Minha consciência é inconsciente de si mesma, por isso eu me obedeço cegamente."
"Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo - quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação."
Minhas ideias são inventadas e eu não me responsabilizo por elas.
"Eu sou feita de tão pouca coisa e meu equilíbrio é tão frágil, que eu preciso de um excesso de segurança para me sentir mais ou menos segura."
"Simplesmente eu sou eu.
E você é você.
É vasto, vai durar.
Por enquanto tu olhas para mim e me amas.
Não: tu olhas para ti e te amas.
É o que está certo."
Eu e minha liberdade que não sei usar