terça-feira, 28 de junho de 2011

No topo


 Não se chega ao topo sozinho , mas ,  aquele que assim pensa , de fato , está sozinho .
No mínimo ,alguém serviu de degrau para que o topo tenha sido alcançado . 
Ter ambição é bom ,e nos move rumo aos nossos objetivos ,mas , não se pode tê-la como meta de vida . Cada degrau , ainda que , pisado e deixado para trás , deve ser reconhecido . E, quando sentires a frieza dos  que o cercam e olhares para trás , pensarás ;  Agora sim estou sozinho .


 (Sil Marx )

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Biografia de Friedrich Nietzsche

Biografia Friedrich Nietzsche



Friedrich Nietzsche nasceu em 1844 na Alemanha numa cidade conhecida por Röcken. A sua família era luterana e o seu destino era ser pastor como seu pai. Nietzsche perde a fé durante a adolescência, e os estudos de filologia combatem com o que aprendeu sobre teológia: Durante os seus estudos na universidade de Leipzig, a sua vocação filosófica cresce. Foi um aluno brilhante, dotado de sólida formação clássica, e aos 25 anos é nomeado professor de Filologia na universidade de Basiléia.

Durante dez anos desenvolveu a sua filosófia em contacto com pensamento grego antigo. Em 1879 seu estado de saúde obriga-o a deixar de ser professor. Sua voz ficou inaudível. Começou uma vida errante em busca de um clima favorável tanto para sua saúde como para seu pensamento (Veneza, Gênova, Turim, Nice, Sils-Maria...) :

Em 1882, começa a escrever o Assim Falou Zaratustra. Nietzsche não cessa de escrever com um ritmo crescente. Este período termina brutalmente em 3 de Janeiro de 1889 com uma "crise de loucura" que, durou até à sua morte, coloca-o sob a tutela da sua mãe e sua irmã.

Estudos recentes atribuem a sua morte um cancro do cérebro, que eventualmente pode ter origem sifilítica. Sua irmã falseou seus escritos após a sua morte para apoiar uma causa anti-semita. Falácia, tendo em vista a repulsa de Nietzsche ao anti-semitismo em seus escritos.

O sucesso de Nietzsche, entretanto, sobreveio quando um professor dinamarquês leu a sua obra Assim Falou Zaratustra e, por conseguinte, tratou de difundi-la, em 1888. Muitos estudiosos da época tentaram localizar os momentos que Nietzsche escrevia sob crises nervosas ou sob efeito de drogas (Nietzsche estudou biologia e tentava descobrir sua própria maneira de minimizar os efeitos da sua doença).
 

Friedrich Nietzsche

Eu não sou um homem, sou um campo de batalha.


E o homem, em seu orgulho, criou Deus, a sua imagem e semelhança.



E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música.


Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você.



Eu jamais iria para a fogueira por uma opinião minha, afinal, não tenho certeza alguma. Porém, eu iria pelo direito de ter e mudar de opinião, quantas vezes eu quisesse."

É difícil viver com as pessoas porque calar é muito difícil.



Não há outro critério da verdade senão o crescimento do sentimento de poder.



Um outro sinal distintivo dos teólogos é a sua incapacidade filológica. Entendo aqui por filologia (...) a arte de bem ler – de saber distinguir os factos, sem estar a falseá-los por interpretações, sem perder, no desejo de compreender, a precaução, a paciência e a finesse.  (O Anticristo).



"Enquanto o padre, esse negador, caluniador e envenenador da vida por profissão for aceito como uma variedade de homem superior, não poderá haver resposta à pergunta: Que é a verdade? A verdade já foi posta de cabeça para baixo quando o advogado do nada foi confundido com o representante da verdade."


Quanto mais nos elevamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar.


A objeção, o desvio, a desconfiança alegre, a vontade de troçar são sinais de saúde: tudo o que é absoluto pertence à patologia.




"Você diz que acredita na necessidade da religião. Seja sincero! Você acredita mesmo é na necessidade da política."


"O ‘puro espírito’ é uma pura estupidez: retire o sistema nervoso e os sentidos, o chamado ‘envoltório mortal’, e o resto é um erro de cálculo – isso é tudo!..."

O inimigo mais perigoso que você poderá encontrar será sempre você mesmo.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Clarice Lispector

Preciso aprender a não precisar de ninguém. É difícil, porque preciso repartir com alguém o que sinto.

"Sou uma filha da natureza:
quero pegar, sentir, tocar, ser.
E tudo isso já faz parte de um todo,
de um mistério.
Sou uma só... Sou um ser.
E deixo que você seja. Isso lhe assusta?
Creio que sim. Mas vale a pena.
Mesmo que doa. Dói só no começo."


Para vermos o azul, olhamos para o céu.
A Terra é azul para quem a olha do céu.
Azul será uma cor em si, ou uma questão de distância?
Ou uma questão de grande nostalgia?
O inalcançável é sempre azul.


"Simplesmente eu sou eu.
E você é você.
É vasto, vai durar.
Por enquanto tu olhas para mim e me amas.
Não: tu olhas para ti e te amas.
É o que está certo."

E o amor, em vez de dar, exige.
E quem gosta de nós quer que sejamos alguma coisa que eles precisam.

Desculpem eu ser eu.
Quero ficar só! grita a alma do tímido que só se liberta na solidão.
Contraditoriamente quer o quente aconchego das pessoas.

"Exagerada toda a vida:
Minhas paixões são ardentes;
 Minhas dores de cotovelo, de querer morrer;
Louca do tipo desvairada;
Briguenta de tô de mal pra sempre;
Durmo treze horas seguidas;
Meus amigos são semi-irmãos;
Meus amores são sempre eternos e meus dramas, mexicanos."


Por dentro eu sempre me persegui.
Eu me tornei intolerável para mim mesma.
Vivo numa dualidade dilacerante.
Eu tenho uma aparente liberdade mas estou presa dentro de mim.

Sou uma pessoa insegura, indecisa,
Sem rumo na vida, sem leme para me guiar:
Na verdade não sei o que fazer comigo.

Eu não quero que você seja eu ,
Eu já tenho a mim .
O que eu quero é que você chegue ,
Com seu poder de chegar
E de me devolver pra mim .
Preciso de paciência porque sou vários caminhos, inclusive o fatal beco-sem-saída.


Tenho me convivido muito ultimamente e descobri com surpresa que sou suportável, às vezes até agradável de ser. Bem. Nem sempre.

...Que minha solidão me sirva de companhia.
que eu tenha a coragem de me enfrentar.
que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.

Com todo perdão da palavra, eu sou um mistério para mim.

"Acho que devemos fazer coisa proibida – senão sufocamos.
Mas sem sentimento de culpa e sim como aviso de que somos livres."

Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.


O que obviamente não presta sempre me interessou muito.
Gosto de um modo carinhoso do inacabado, do malfeito,
Daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno voo e cai sem graça no chão.

Sempre conservei uma aspa à esquerda e à direita de mim.




" ... Sou como você me vê ...
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar ... ''


- Ela é tão livre que um dia será presa.
- Presa por quê?
- Por excesso de liberdade.
- Mas essa liberdade é inocente?
- É. Até mesmo ingênua.
- Então por que a prisão?
- Porque a liberdade ofende.



Passei a minha vida tentando corrigir os erros que cometi na minha ânsia de acertar.
Ao tentar corrigir um erro, eu cometia outro.
Sou uma culpada inocente.


Minha orgia na verdade vinha de meu puritanismo: 
O prazer me ofendia, e da ofensa eu fazia prazer maior.


Só uma coisa a favor de mim eu posso dizer:
Nunca feri de propósito.
E também me dói quando percebo que feri.
Mas tantos defeitos tenho.
Sou inquieta, ciumenta, áspera, desesperançosa.
Embora amor dentro de mim não falte.

"Minha consciência é inconsciente de si mesma, por isso eu me obedeço cegamente."

"Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo - quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação."

                                       Minhas ideias são inventadas e eu não me responsabilizo por elas.


"Eu sou feita de tão pouca coisa e meu equilíbrio é tão frágil, que eu preciso de um excesso de segurança para me sentir mais ou menos segura."




"Simplesmente eu sou eu.
 E você é você.
É vasto, vai durar.
Por enquanto tu olhas para mim e me amas.
Não: tu olhas para ti e te amas.
É o que está certo."
Eu e minha liberdade que não sei usar

Biografia Clarice Lispector





Biografia Clarice Lispector



Clarice Lispector (Tchetchelnik Ucrânia 1925 - Rio de Janeiro RJ 1977) passou a infância em Recife e em 1937 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se formou em direito. Estreou na literatura ainda muito jovem com o romance Perto do Coração Selvagem (1943), que teve calorosa acolhida da crítica e recebeu o Prêmio Graça Aranha.

Em 1944, recém-casada com um diplomata, viajou para Nápoles, onde serviu num hospital durante os últimos meses da Segunda Guerra. Depois de uma longa estada na Suíça e Estados Unidos, voltou a morar no Rio de Janeiro. Entre suas obras mais importantes estão as reuniões de contos A Legião Estrangeira (1964) e Laços de Família (1972) e os romances A Paixão Segundo G.H. (1964) e A Hora da Estrela (1977).

Clarice Lispector começou a colaborar na imprensa em 1942 e, ao longo de toda a vida, nunca se desvinculou totalmente do jornalismo. Trabalhou na Agência Nacional e nos jornais A Noite e Diário da Noite. Foi colunista do Correio da Manhã e realizou diversas entrevistas para a revista Manchete. A autora também foi cronista do Jornal do Brasil. Produzidos entre 1967 e 1973, esses textos estão reunidos no volume A Descoberta do Mundo.

Escreve a crítica francesa Hélène Cixous: "Se Kafka fosse mulher. Se Rilke fosse uma brasileira judia nascida na Ucrânia. Se Rimbaud tivesse sido mãe, se tivesse chegado aos cinqüenta. (...). É nessa ambiência que Clarice Lispector escreve. Lá onde respiram as obras mais exigentes, ela avança. Lá, mais à frente, onde o filósofo perde fôlego, ela continua, mais longe ainda, mais longe do que todo o saber".

Fonte : Pensador.info
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